O Oscar 2027 acontecerá em 14 de março de 2027 e, mesmo mais de seis meses antes da cerimônia, já temos alguns nomes que circulam como favoritos para possíveis indicações. Há muita água para rolar e, até março do ano que vem, muitos filmes podem cair no esquecimento ou serem ofuscados por grandes surpresas. Ainda assim, já é possível notar quais filmes largaram à frente e quais vão ter que correr por fora.
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Os Arrasa-Quarteirão
O primeiro lugar em que podemos buscar candidatos ao Oscar é, obviamente, nas telonas. Alguns dos filmes que lideraram (ou devem liderar) as bilheterias do ano também são fortes candidatos a aparecer entre os indicados.
É impossível começar essa lista sem falar de A Odisseia, filme de Christopher Nolan que tem dominado as conversas desde sua estreia no mês passado. A adaptação do texto clássico de Homero chega para competir com o último filme do diretor, Oppenheimer (2023), pelo maior número de indicações de sua carreira. Com um elenco estrelado, é fácil imaginar o nome de Matt Damon entre os indicados para Melhor Ator e o de Anne Hathaway para Melhor Atriz, mas a disputa será intensa entre os coadjuvantes. Há grandes nomes da indústria como o casal Tom Holland e Zendaya, mas as performances aclamadas de atores como Samantha Morton e John Leguizamo podem levar a Universal a priorizar outros nomes.
As estimativas de indicações da crítica especializada variam de 10 a 16 (recorde máximo da premiação), e outras categorias que devem contar com a presença do filme de Nolan incluem Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, além de categorias técnicas como Efeitos Visuais, Som, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Fotografia e Montagem.

Outro blockbuster que conquistou público e crítica foi a ficção científica Devoradores de Estrelas, que, se receber da Amazon MGM uma boa campanha de lembrança no período de indicações, pode ir além de categorias técnicas como Efeitos Visuais e Som, engatando até mesmo uma campanha para Ryan Gosling como Melhor Ator e Sandra Hüller para Melhor Atriz Coadjuvante, a depender da competição. Nas categorias técnicas, seu grande adversário, além de A Odisseia, será Duna: Parte Três, a conclusão da trilogia de Denis Villeneuve que irá brigar por mais reconhecimento do que os seus antecessores — e pode se beneficiar do velho hábito da Academia de favorecer a conclusão de sagas do tipo em detrimento dos episódios intermediários.
Mesmo após conquistar US$1 bilhão na bilheteria mundial, a cinebiografia Michael (Antoine Fuqua) parece ter perdido força, e, apesar de ainda ter chances de implacar uma indicação para Jaafar Jackson por interpretar o Rei do Pop, a repetição mista da crítica e a distância até a premiação farão com que as chances de Michael dependam de uma boa campanha de lembrança da Lionsgate, muito provavelmente focada no protagonista e em aspectos técnicos como Maquiagem e Figurino.

As Promessas dos Festivais
Em um ano em que a Academia decidiu alterar as regras da categoria de Melhor Filme Internacional, olhar para os festivais ganhou uma importância tremenda. A partir de 2027, os vencedores dos principais prêmios nos festivais de Cannes, Berlim, Veneza, Toronto, Sundance e Busan poderão competir na categoria sem dependerem da seleção de seus países, desde que sejam em língua não-inglesa.
Por esse motivo, Fjord, que conquistou a segunda Palma de Ouro do diretor romeno Cristian Mungiu (do aclamado 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias), desponta logo de cara como um dos favoritos. Uma coprodução entre a Romênia, a França e os quatro países escandinavos, o filme, que conta a história de um romeno que se muda para o vilarejo de origem da esposa norueguesa com a sua família, mas atrai a desconfiança de seus vizinhos quando um de seus filhos aparece com marcas de agressão. Além de Melhor Filme Internacional, o filme promete disputar uma vaga em Melhor Filme, além de possíveis indicações para Mungiu como diretor e para Sebastian Stan e Renate Reinsve, que interpretam o casal principal, nas categorias de atuação.
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Também de Cannes vêm La Bola Negra (co-dirigido pelo ex-casal Javier Ambrossi e Javier Calvo) e A Terra do Meu Pai (de Pawel Pawlikovski), que dividiram o prêmio de direção no festival francês. Apesar de não terem ganhado a Palma de Ouro, os dois têm grandes chances de serem os escolhidos por seus países de origem (a Espanha e a Polônia, respectivamente) para disputar a categoria de Melhor Filme Internacional. La Bola Negra, que conta as histórias de três homens de épocas distintas conectados pelos versos de um poeta espanhol, traz nomes como Penélope Cruz e Glenn Close e foi adquirido pela Netflix, conquistando a maior janela nos cinemas da história da distribuidora e com fortes de chances de se tornar um de seus principais candidatos. Já A Terra do Meu Pai, que mostra uma mulher e seu pai atravessando o Muro de Berlim no auge da Guerra Fria para voltar à sua terra natal, tem distribuição da Mubi e promete ser um dos muitos caminhos de Sandra Hüller para uma indicação. Ambos também devem disputar as vagas ocupadas por filmes em língua não-inglesa na categoria de Melhor Filme nos últimos anos.
De Berlim, o vencedor do Urso de Ouro Yellow Letters buscará repetir a indicação de A Sala dos Professores (2023), também dirigido por İlker Çatak, que apareceu na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar de 2024. De Sundance, principal janela do cinema independente norte-americano, ganham força nomes como O Convite, de Olivia Wilde (Não Se Preocupe, Querida), comédia distribuída pela A24 que conquistou público e crítica, e Josephine, da brasileiro-americana Beth de Araújo.
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Os Festivais de Veneza, Busan e Toronto ainda não ocorreram. Ainda assim, Veneza promete trazer um dos principais nomes da temporada: Cavalo Selvagem Nove, de Martin McDonagh (diretor de Os Banshees de Inisherin e Três Anúncios para um Crime), promete disputar uma vaga em Melhor Filme, além de categorias como Melhor Diretor, Melhor Ator (John Malkovich), Melhor Ator Coadjuvante (Sam Rockwell) e Melhor Roteiro Original. O filme conta a história de dois agentes da CIA que põem sua parceria à prova durante uma viagem de Santiago do Chile à Ilha de Páscoa. Também estreiam em Veneza Primetime (Lance Oppenheim) e Ink (Danny Boyle), cinebiografias polêmicas que devem entrar na disputa das categorias de atuação para Robert Pattinson e Guy Pearce, respectivamente.
Outro nome importante será A Grande Estreia, de Jesse Eisenberg (A Verdadeira Dor), que tem estreia marcada em Toronto e parece estar no caminho para ser o principal candidato da A24 na temporada. A comédia musical conta a história de uma mulher tímida escalada como a protagonista de uma pequena produção de teatro musical local, e é uma das promessas da temporada para a categoria de Melhor Filme. O elenco também deve aparecer nas categorias de atuação, com Julianne Moore chegando com força para Melhor Atriz e o próprio Eisenberg, bem como Paul Giamatti (de Os Rejeitados), na corrida para Melhor Ator Coadjuvante.
Os Mais Aguardados
Alguns filmes que ainda não foram lançados também têm grande potencial de aparecer na premiação se estiveram à altura da expectativa do público e da crítica.
O primeiro deles é, sem dúvida, Digger, a nova comédia de humor negro do diretor mexicano Alejandro G. Iñarritu (Birdman) que traz Tom Cruise na pele de um bilionário poderoso que, ao provocar um desastre ambiental, decide se oferecer como salvador da humanidade. Se a recepção for positiva, o filme de Iñarritu tem potencial de arrancar diversas indicações, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator para Cruise e Melhor Atriz Coadjuvante para, mais uma vez, Sandra Hüller. Para além da força prévia, o filme também é uma das principais apostas da Warner na temporada.
Duas sequências tardias ainda não lançadas brigarão por uma vaga na temporada, embora possam encontrar uma rejeição inicial. Uma delas é As Aventuras de Cliff Booth, sequência de Era Uma Vez em… Hollywood (2019) focada no personagem de Brad Pitt em que veremos David Fincher (Se7en, Garota Exemplar) assumir a direção enquanto Quentin Tarantino assina o roteiro. A outra, por sua vez, é O Outro Lado das Redes, sequência de A Rede Social (do próprio Fincher) dirigida por Adam McKay (Não Olhe Para Cima), que escreveu o primeiro filme, e traz Jeremy Strong (Succession) como substituto de Jesse Eisenberg no papel de Mark Zuckerberg, além de Mikey Madison (Anora) como coadjuvante. Ambos os filmes precisarão provar que estão à altura dos antecessores se quiserem garantir as suas vagas na premiação.
Por fim, temos também Behemoth!, filme escrito e dirigido por Tony Gilroy (recém-saído de Andor) que conta a história de um violoncelista talentoso que retorna a Los Angeles após passar duas décadas viajando pelo mundo. O protagonista é vivido por Pedro Pascal, que chega como forte candidato a Melhor Ator, e o elenco inclui ainda nomes como Eva Victor (Sorry, Baby) e Olivia Wilde (O Convite). A distribuição é da Searchlight, e o filme promete aproveitar a repercussão recente do trabalho de Gilroy em Star Wars para chegar ao Oscar.

Os Azarões
Como sempre, alguns filmes começam em desvantagem e precisarão correr por fora para conquistar a tão sonhada vaga. Desta vez, destaco dois:
Como de costume, o terror é um gênero que exige esforço de campanha para chegar à premiação. O fenômeno Obsessão, um dos mais bem-sucedidos do ano, terá sua melhor chance se conseguir engatar uma campanha orgânica como a de Amy Madigan (A Hora do Mal) no último Oscar. Nesse caso, sua melhor chance seria brigar por uma vaga para Inde Navarrette como Melhor Atriz Coadjuvante, ou então por uma vaga para Melhor Roteiro Original que destaque o trabalho do jovem diretor Curry Barker. Ainda assim, o filme foi distribuído pela Focus e pela Blumhouse, duas distribuidoras que pertencem à Universal, e o estúdio provavelmente terá boa parte de seus recursos focados em uma campanha para A Odisseia.
Outro candidato a engajamento será o sul-coreano Hope, de Na Hong-Jin, um filme de ação e ficção científica que estreou no Festival de Cannes e dividiu a repercussão, com alguns críticos estranhando seu lugar no Festival e outros aclamando o trabalho como refrescante. Hope é um forte candidato a cair nas graças do público e da cinefilia quando estrear nos Estados Unidos, e a Neon, que adquiriu os direitos de distribuição internacionais em Cannes, parece estar engenhando uma narrativa inspirada nas campanhas de Parasita (2019) e Godzilla Minus One (2023) para tentar levar o sul-coreano ao Oscar — o que pode render pelo menos algumas menções em categorias técnicas.
Além desses dois filmes, vale a menção a Artificial, filme ainda não lançado de Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome) com forte influência de A Rede Social, mas focado na indústria da Inteligência Artificial e na ascensão da OpenAI. Andrew Garfield viverá Sam Altman no filme que, no momento, está sem distribuidora, após o encerramento do contrato com a Amazon MGM.
E você? Qual o seu favorito para o Oscar? Daqui a alguns meses saberemos quantos dos principais candidatos já apareceram nesta primeira prévia.
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