Existe uma diferença entre gostar de filmes e começar a montar mentalmente aquela lista de produções que todo mundo deveria assistir pelo menos uma vez na vida.
É aí que começa o problema.
Porque quanto mais cinema você conhece, maior a lista fica.
Scorsese? Spielberg? Fincher? Coppola? Nolan? Bong Joon-ho?
Quando percebemos, aquela inocente seleção de “dez filmes” já possui aproximadamente 47 títulos e uma discussão séria acontecendo no grupo do WhatsApp.
Por isso, fizemos o exercício difícil.
Selecionamos 10 filmes obrigatórios, passando por diferentes épocas, gêneros e estilos, mas com algo em comum: todos deixaram alguma marca na história do cinema e continuam extremamente bem avaliados pelo público.
As notas apresentadas são baseadas no IMDb e podem sofrer pequenas alterações conforme novos usuários avaliam os filmes.
Prepare a pipoca.
E provavelmente algumas horas da agenda.
10. Green Book: O Guia

Nota IMDb da seleção: 8,2
Dirigido por Peter Farrelly, Green Book: O Guia acompanha a improvável amizade entre Tony Lip, um segurança ítalo-americano, e Don Shirley, um sofisticado pianista negro.
A história acontece nos Estados Unidos dos anos 1960, período em que a segregação racial ainda fazia parte da rotina de diversas regiões do país.
Tony é contratado para dirigir e proteger Shirley durante uma turnê pelo sul dos Estados Unidos.
O que começa como uma relação puramente profissional rapidamente expõe diferenças enormes entre os dois.
Tony é impulsivo, barulhento e pouco refinado.
Shirley é extremamente culto, reservado e exigente.
Naturalmente, os dois passam boa parte da viagem tentando entender um ao outro.
O filme equilibra drama e humor para discutir preconceito, amizade e identidade sem transformar cada cena em um discurso.
Mahershala Ali venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel, enquanto o longa conquistou o prêmio de Melhor Filme.
Por que assistir?
Porque é uma daquelas histórias aparentemente simples que funcionam graças à química entre seus protagonistas.
9. Seven: Os Sete Crimes Capitais

Nota IMDb da seleção: 8,6
Antes de transformar nossa relação com clubes secretos e redes sociais em motivo de paranoia, David Fincher já estava causando desconforto com Seven.
O filme acompanha dois investigadores completamente diferentes.
Somerset, interpretado por Morgan Freeman, está próximo da aposentadoria e observa o mundo com um pessimismo quase filosófico.
Mills, vivido por Brad Pitt, é jovem, impulsivo e acredita que ainda pode fazer diferença.
Os dois passam a investigar uma série de assassinatos relacionados aos sete pecados capitais.
Quanto mais avançam, mais percebem que não estão simplesmente perseguindo um assassino.
Estão participando de um plano cuidadosamente arquitetado.
O clima sombrio, a fotografia opressiva e o desfecho fizeram de Seven um dos thrillers mais influentes dos anos 1990.
Por que assistir?
Porque poucos filmes policiais conseguem construir tensão tão bem.
E porque o final continua funcionando mesmo décadas depois.
8. Clube da Luta

Nota IMDb da seleção: 8,8
Primeira regra do Clube da Luta: todo mundo conhece a primeira regra do Clube da Luta.
Lançado em 1999 e novamente dirigido por David Fincher, o filme acompanha um homem frustrado com sua rotina, seu trabalho e sua própria existência.
Tudo muda quando ele conhece Tyler Durden, interpretado por Brad Pitt.
Carismático, anárquico e completamente contrário à sociedade de consumo, Tyler ajuda a criar um clube clandestino onde homens se encontram para lutar.
Só que aquilo que começa como uma forma brutal de escapismo rapidamente cresce para algo muito maior.
Clube da Luta mistura crítica ao consumismo, masculinidade, alienação e identidade em uma narrativa que permanece sendo reinterpretada até hoje.
Curiosamente, algumas pessoas parecem ter assistido ao filme e chegado exatamente à conclusão oposta daquela proposta pela história.
Também faz parte do pacote.
Por que assistir?
Porque é um filme que muda bastante quando você o revê sabendo para onde a história está caminhando.
7. Crash: No Limite

Nota IMDb da seleção: 7,7
Poucos filmes desta lista dividem tanto opiniões quanto Crash: No Limite.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2006, o longa acompanha diferentes personagens vivendo em Los Angeles cujas histórias acabam se cruzando.
Policiais, criminosos, imigrantes, famílias ricas e trabalhadores passam por situações envolvendo preconceito, violência e desigualdade.
A estrutura utiliza diferentes histórias paralelas para mostrar como atitudes individuais podem desencadear consequências inesperadas.
O filme continua sendo discutido justamente porque seu Oscar permanece entre os mais controversos da história recente da premiação.
Por que assistir?
Porque, concordando ou não com todas as escolhas do roteiro, Crash ainda rende discussões interessantes sobre preconceito e comportamento social.
E cinema que continua provocando debate décadas depois raramente passa completamente despercebido.
6. 12 Anos de Escravidão

Nota IMDb da seleção: 8,1
Aqui a experiência fica consideravelmente mais pesada.
Dirigido por Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão conta a história real de Solomon Northup, um homem negro livre que vivia em Nova York durante o século XIX.
Após ser enganado, Solomon é sequestrado e vendido como escravo.
Durante doze anos, passa por diferentes propriedades enquanto tenta sobreviver e encontrar uma forma de recuperar sua liberdade.
Chiwetel Ejiofor entrega uma atuação extraordinária, acompanhado por nomes como Michael Fassbender, Lupita Nyong'o e Brad Pitt.
O filme evita romantizar a brutalidade da escravidão e constrói algumas sequências deliberadamente difíceis de assistir.
Por que assistir?
Porque é um daqueles filmes importantes não apenas pelo cinema, mas pelo tema histórico que retrata.
Venceu o Oscar de Melhor Filme em 2014.
5. O Poderoso Chefão

Nota IMDb da seleção: 9,2
Existem clássicos.
E existe O Poderoso Chefão.
Dirigido por Francis Ford Coppola e lançado em 1972, o filme acompanha a família Corleone, uma das mais poderosas organizações criminosas de Nova York.
No centro da história está Don Vito Corleone, interpretado por Marlon Brando.
Entretanto, a verdadeira transformação acontece com seu filho Michael.
Interpretado por Al Pacino, Michael começa a história tentando manter distância dos negócios da família.
Vamos apenas dizer que isso não ocorre exatamente conforme o planejado.
A transformação de Michael Corleone continua sendo uma das grandes jornadas de personagem da história do cinema.
Por que assistir?
-
Pelas atuações.
-
Pelos diálogos.
-
Pela fotografia.
-
Pela direção.
-
Pela trilha sonora.
Basicamente, escolha uma parte do filme.
Provavelmente existe alguma aula de cinema acontecendo ali.
4. Parasita

Nota IMDb da seleção: 8,5
Dizer muito sobre Parasita antes de alguém assistir é quase um crime.
Então vamos manter o básico.
Dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-ho, o filme acompanha uma família pobre que lentamente começa a trabalhar para uma família extremamente rica.
O que começa quase como uma comédia sobre diferenças sociais vai mudando gradualmente de gênero.
E continua mudando.
E quando você percebe que entendeu o filme, provavelmente ele muda novamente.
Parasita fez história em 2020 ao se tornar o primeiro longa em língua não inglesa a vencer o Oscar de Melhor Filme.
Também levou os prêmios de direção, roteiro original e filme internacional.
Por que assistir?
Porque consegue ser engraçado, desconfortável, tenso e profundamente trágico praticamente dentro da mesma história.
Se você ainda não viu, quanto menos souber antes, melhor.
3. Batman: O Cavaleiro das Trevas

Nota IMDb da seleção: 9,1
Filme de super-herói pode ser colocado ao lado dos grandes dramas e thrillers do cinema?
Christopher Nolan respondeu isso em 2008.
Batman: O Cavaleiro das Trevas apresenta Bruce Wayne tentando combater uma nova forma de criminalidade em Gotham enquanto Harvey Dent surge como símbolo de esperança para a cidade.
Então aparece o Coringa.
Interpretado por Heath Ledger, o personagem não está interessado simplesmente em dinheiro ou poder.
Ele quer demonstrar que qualquer pessoa pode abandonar seus princípios quando levada ao limite.
Isso transforma a batalha entre Batman e Coringa em algo muito maior do que uma disputa entre herói e vilão.
É um confronto ideológico.
Por que assistir?
Porque funciona perfeitamente como filme de Batman e, ao mesmo tempo, como thriller policial.
A atuação de Heath Ledger tornou-se histórica e lhe rendeu, postumamente, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
E sim:
até hoje Hollywood continua procurando outro vilão capaz de causar o mesmo impacto.
2. A Lista de Schindler

Nota IMDb da seleção: 9,0
Steven Spielberg construiu sua carreira alternando entretenimento popular e grandes dramas.
Em A Lista de Schindler, encontramos um de seus trabalhos mais importantes.
O filme conta a história de Oskar Schindler, empresário alemão que inicialmente utiliza trabalhadores judeus para manter sua fábrica funcionando durante a Segunda Guerra Mundial.
À medida que testemunha os horrores do Holocausto, porém, sua postura muda.
Schindler passa a utilizar dinheiro, influência e contatos para salvar trabalhadores que seriam enviados aos campos de concentração.
Filmado majoritariamente em preto e branco, o longa possui algumas das imagens mais marcantes da carreira de Spielberg.
Por que assistir?
Porque é cinema historicamente importante realizado com enorme domínio técnico e emocional.
Mas prepare-se: é uma experiência pesada.
1. Um Sonho de Liberdade

Nota IMDb da seleção: 9,3
Curiosamente, o filme que durante muitos anos ocupou o topo das avaliações do IMDb não foi um grande fenômeno quando chegou aos cinemas.
Um Sonho de Liberdade ganhou força posteriormente através do vídeo doméstico, da televisão e do famoso método de indicação conhecido como:
Você ainda não assistiu isso?
Baseado em uma história de Stephen King, o longa acompanha Andy Dufresne, banqueiro condenado pelo assassinato da esposa e enviado à prisão de Shawshank.
Lá conhece Red, interpretado por Morgan Freeman.
O filme acompanha décadas de amizade, sobrevivência, injustiça e esperança dentro do sistema prisional.
Não existem grandes efeitos visuais.
Não existe uma estrutura narrativa complicada.
Não existe universo compartilhado preparando oito spin-offs.
Existe apenas uma história extraordinariamente bem contada.
Às vezes é suficiente.
Por que assistir?
Porque poucos filmes falam sobre esperança de maneira tão simples e eficiente.
E porque Morgan Freeman narrando praticamente qualquer coisa deveria ser considerado patrimônio cultural.
Quantos desses você já assistiu?
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Nossa seleção ficou assim:
-
Um Sonho de Liberdade** — 9,3**\10
-
O Poderoso Chefão** — 9,2**\10
-
Batman: O Cavaleiro das Trevas** — 9,1**\10
-
A Lista de Schindler** — 9,0**\10
-
Clube da Luta** — 8,8**\10
-
Seven: Os Sete Crimes Capitais — 8,6\10
-
Parasita** — 8,5**\10
-
Green Book: O Guia** — 8,2**\10
-
12 Anos de Escravidão** — 8,1**\10
-
Crash: No Limite** — 7,7/10**
Vale lembrar que as notas do IMDb mudam conforme novos votos são registrados. Portanto, pequenas variações podem ocorrer em relação aos números apresentados na seleção.
Também não estamos afirmando que estes são objetivamente “os dez melhores filmes já feitos”.
Essa discussão provavelmente terminaria em pancadaria antes do quinto colocado.
A ideia é reunir dez obras extremamente relevantes que funcionam como uma excelente porta de entrada para diferentes estilos de cinema.
Tem drama.
Suspense.
Crime.
Super-herói.
Cinema internacional.
História real.
E Brad Pitt aparece tantas vezes que quase merece crédito como curador desta lista.
E por onde começar?
Se você nunca assistiu a nenhum deles, podemos facilitar.
Quer algo mais acessível?
- Comece com Green Book ou Um Sonho de Liberdade.
Quer suspense?
- Vá direto para Seven.
Quer uma história que bagunce sua cabeça?
Quer conhecer um clássico absoluto?
Quer algo contemporâneo e imprevisível?
Quer super-heróis?
- Batman: O Cavaleiro das Trevas continua sendo parada obrigatória.
Está preparado emocionalmente?
- Então temos A Lista de Schindler e 12 Anos de Escravidão esperando.
A vantagem é que não existe realmente uma ordem correta.
O importante é começar.
Porque uma das melhores partes de gostar de cinema ainda é descobrir aquele clássico sobre o qual todo mundo fala há vinte anos e finalmente entender:
Ah... então era por isso.
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