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Gabriel Pafer
Gabriel Pafer
  • 1 de ago. de 2026
  • 3 min de leitura

Tracking é uma feature. Comunidade é o produto.

Tracking é uma feature. Comunidade é o produto.

Durante muito tempo, praticamente todos os aplicativos de entretenimento seguiram o mesmo caminho: ajudar as pessoas a registrar o que assistiram. Alguns fizeram isso melhor que outros, adicionaram listas, avaliações, sincronização automática e estatísticas cada vez mais completas. E isso é ótimo. Eu mesmo adoro esse tipo de ferramenta. Mas, em algum momento, comecei a sentir que estávamos todos tentando resolver um problema que já havia sido resolvido.

Hoje existem excelentes aplicativos para organizar o histórico de filmes e séries. Você marca episódios como assistidos, dá notas, monta listas e acompanha seu progresso. Tudo isso funciona muito bem. Só que, observando meu próprio comportamento e o de milhares de usuários, percebi que o momento mais importante nunca acontecia dentro desses aplicativos.

O que acontece depois que você termina de assistir?

Quando terminamos uma série como Severance ou The Last of Us, por exemplo, quase ninguém simplesmente marca o episódio como assistido e fecha o celular. O que acontece é exatamente o contrário. Abrimos o Reddit para ler teorias, procuramos vídeos no TikTok, comentamos no X, mandamos mensagens para amigos e passamos horas consumindo conteúdo sobre aquilo que acabamos de assistir. O tracking continua existindo, mas ele deixa de ser o objetivo principal. Ele se torna apenas o início da experiência.

Foi justamente essa mudança de comportamento que me fez enxergar a Lobbix de uma forma diferente. Desde o começo, nunca tive vontade de construir apenas mais um aplicativo para marcar filmes e séries (a versão 1.0 publicada nem tinha essa ferramenta), pois existem ótimas opções para isso e elas cumprem muito bem esse papel. O que sempre me chamou atenção foi o espaço entre registrar um título e conversar sobre ele. Era estranho perceber que praticamente toda a parte social do entretenimento acontecia fora das plataformas onde registrávamos nosso histórico.

Uma experiência espalhada por vários lugares

Na prática, a experiência ficou fragmentada. Você acompanha o que assistiu em um aplicativo, descobre novidades em outro, participa das discussões em uma rede social diferente, recebe recomendações pelo WhatsApp e salva listas em algum lugar que provavelmente vai esquecer depois. Nenhuma dessas ferramentas está errada. Elas apenas foram construídas para resolver problemas específicos. O resultado é que a jornada do usuário acaba espalhada entre vários lugares.

Foi tentando responder a isso que a visão da Lobbix começou a tomar forma. Em vez de tratar o histórico como o produto, comecei a enxergá-lo como uma infraestrutura. O tracking continua sendo importante, porque ele dá contexto para tudo o resto. É ele que permite recomendações melhores, conecta pessoas com gostos parecidos e torna as conversas muito mais relevantes. Mas, sozinho, ele já não basta.

O histórico é o começo, não o destino

Essa talvez seja a frase que mais resume a forma como enxergo esse mercado hoje:

Tracking é uma feature. Comunidade é o produto.

Não porque registrar filmes e séries perdeu importância, mas porque o verdadeiro valor está em tudo o que acontece depois. As conversas, as recomendações, as amizades, as listas compartilhadas, as teorias e as descobertas são o que fazem uma plataforma continuar viva mesmo quando você não está assistindo nada.

É exatamente isso que estamos tentando construir na Lobbix. Ainda há muito trabalho pela frente e provavelmente vamos mudar muita coisa ao longo do caminho. Mas essa ideia continua sendo a mesma desde o primeiro dia: transformar o ato de acompanhar filmes e séries apenas no ponto de partida para uma comunidade construída em torno do entretenimento.

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As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente a posição da Lobbix ou de qualquer uma de suas entidades. Os colunistas do blog são independentes.

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